FRANS
KRAJCBERG
(Uma
pessoa admirável, excepcional)
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Uma tarde com Frans
Krajcberg.
Numa tarde amena do mês de agosto encontramos com Frans Krajcberg. Encontrava-se absorvido trabalhando em uma das 50 esculturas que irão para o Museu Bagatelle – França, seu atelier é amplo, bem arejado onde existe uma atividade febril e apaixonada.
Completamente
absorvido em seu trabalho mal notou nossa presença.
Fiquei
a um canto observando fascinada ao seu minucioso trabalho, uma escultura de
cerca de 2 a 2 metros e meio, creio eu, erguia-se a nossa frente, majestosa,
magistral. Um perfeito ato de preservação
ambiental, um grito surdo da luta contra a devastação e queimada de
nossas matas e florestas, uma defesa
viva que parecia explodir a qualquer momento naquela escultura, sem palavras
ante uma arte tão viva e tão presente.
Suas
composições têm uma força que parecem estar a ponto de explodir cheia de
significado e vida. É um protesto vivo a favor da preservação ambiental. O
artista usa como matéria prima a própria natureza que ama profundamente,
consegue o renascer dos destroços da devastação humana.
Começamos
a conversar e ele me diz que uma obra precisa acompanhar a evolução humana e
apontar os pontos críticos e devastadores desta evolução, que a arte tem que
acompanhar e mostrar o que fazem nesta evolução prejudicando e devastando a
natureza e a arte dá vida neste renascer de conscientização.
Frans
é uma criatura adorável, em seus 80 anos nos traz uma visão jovial e
encantadora. Tem uma energia cheia de luz e beleza, fala tranqüilamente e nos
cativa por inteiro.
Conversamos
ainda sobre as 50 obras que está preparando para a comemoração dos 100 anos
do Museu Bagatelle, a pedido do Prefeito de Paris. Contou de suas ultimas exposições
pela Europa, de seus transtornos com taxações sobre suas obras a cada saída
do Brasil. Enfim demonstra uma profunda tristeza pelo pouco valor que dão a
arte aqui no Brasil e conta do porque é mais conhecido na França do que no
Brasil, onde se naturalizou.
Andando
e conversando, chegamos a um lindo pedaço de praia junto a sua propriedade.
Vislumbrei uma cena que jamais esquecerei, a visão magnífica de três de suas obras, ali na areia branca da praia tendo como cenário um magnífico mar azul contrastando com a beleza das peças. Três esculturas vivas, prontas nos deixando sem ação ante tal espetáculo, nos dando o recado, nos convidando a renascer, como elas, das cinzas. Soberbas, não conseguia desviar meus olhos, estava hipnotizada.
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Após o impacto inicial Frans, eu e Benê (escultor que utiliza restos de barcos e destroços como matéria prima de suas esculturas e mora em Morro de S.Paulo – BA) começamos a fotografar e fotografar de todas as formas e maneiras que sabíamos num frenesi ante tal momento inenarrável.
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Retornamos a estradinha de terra aberta em meio a uma exuberante mata e nos dirigimos a casa de Frans, construída sobre um enorme e centenário tronco de árvore e toda ladeada por varandões e vidros , e onde Frans, consegue manter pleno contato com o meio ambiente e receber toda a inspiração que precisa proveniente da vista do mar e da floresta. Outra visão inesquecível, um lugar de sonhos e que por mais que eu viva, jamais esquecerei deste encontro e deste lugar, desta tarde junto ao mundo de Frans que elege como suas cidades mais queridas, Paris e Leningrado.
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Considerações
Gerais.
Espaço
Cultural Frans Krajcberg – Curitiba - Inaugurado
com a presença do ilustre artista polonês, no Jardim Botânico, com 100
esculturas doadas pelo artista ao Município.
Além
de Curitiba – a primeira cidade a inaugurar um espaço reservado ao artista
– Paris também terá em breve o Museu Frans Krajcberg, assim como a cidade de
Nova Viçosa, na Bahia, onde ele fixou residência há 30 anos.
Breve Biografia
(Fonte Itaú
Cultural)
Frans
Krajcberg (Kozienice, Polônia 1921). Estudou engenharia e artes na Universidade
de Leningrado. Durante a II guerra Mundial, entre 1 941 e
1
945 foi oficial do exercito polonês. Após a guerra, muda-se para a Alemanha e
ingressa na Academia de Belas Artes de Stuttgart, onde é aluno de Willy
Baumeister. Em 1948, imigra para o Brasil e se fixa em São Paulo. Em 1951,
participa da 1ª Bienal Internacional de São Paulo expondo duas pinturas.
Muda-se para o Paraná, onde trabalha como engenheiro de uma fábrica de papel,
porém abandona o emprego e isola-se na floresta para pintar. Em 1956,
instala-se no Rio de Janeiro e divide ateliê com o escultor Franz Weissmann.
Naturaliza-se brasileiro em 1957. A partir de 1958, alterna residência entre
Paris, Ibiza e Rio de Janeiro. Em 1964, instala ateliê em Cata Branca, próximo
ao Pico Itabirito, Minas Gerais, e executa suas primeiras esculturas com tronco
de arvores mortas. Realiza diversas viagens a Amazônia e Pantanal
Mato-Grossense, fotografando e documentando os desmatamentos, além de recolher
materiais para suas obras, como raízes e troncos calcinados. Desde 1972 mantém
ateliê em Nova Viçosa, no sul da Bahia. Em 1978, durante viagem pelo Rio
Negro, elabora com Pierre Restany e Sepp Baendereck o Manifesto do Naturalismo
Integral ou Manifesto do Rio Negro. Publica o livro A Cidade de São Luiz do
Maranhão, em 1981, com fotografias de sua autoria e, em 1986, o livro de
fotografias Natura. Em 1998, recebe o Prêmio Multicultural Estadão, do jornal
O Estado de São Paulo. Em 2000, são lançados os livros Frans Krajcberg
Revolta e Frans Krajcberg Natura, ambos pela editora GB Arte.
Em
2005 deverá realizar uma exposição de suas obras na Pinacoteca do Estado de São
Paulo.
Marici
Bross.
São
Paulo, agosto de 2004.
Algumas fotos do novo Museu e do novo Atelier que esta sendo construído e Nova Viçosa - BA, junto a residência de Frans Krajcberg.
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Fotos de Materiais para composições
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